Textos mais longos, com vários parágrafos

AVÔ EMPREENDEDOR, AVÓ EMPREENDEDORA

João foi visitar os avós. Não estavam em casa, porém João cruzou com eles na esquina da rua:

— Oi vô, oi vó. Estão indo aonde?

–Oi neto querido, vamos comprar matéria-prima. Tivemos um aumento inesperado de pedidos este início de semana e o estoque de geleias não vai dar conta. Quer vir?

Fim da história. Mais um dia normal na vida de empreendedores.

Essa pode ser a sua história. Vô e vó possuem uma loja online de venda de geleias artesanais. Receitas secretas da vó. Vendem para todo o estado e só não expandiram regionalmente ainda porque estão aguardando a melhoria da logística de entrega, que por enquanto não anda lá muito confiável. E qualidade de produto, de atendimento e de entrega é tudo nesse negócio! O sistema de pagamento está joinha: o módulo integrado à loja funciona super bem e nunca tiveram reclamação alguma. Mas bom mesmo é publicar as fotos do processo de fabricação no Instagram! Cada comentário… Dá pra ver de longe a água na boca.

E você, quer empreender prazerosamente? Vem empreender e crescer! Feliz dia dos Avós!!

Tempo? Cada cliente tem o seu

Nunca temos tempo para nada. E seguimos nos atrasando. No mundo do empreendedorismo deixar o cliente esperando ou não cumprir o prazo prometido pode ser fatal!

Como tentamos resolver isso? Ou ignorando o problema (pior opção!), ou chamando mais gente para as tarefas, ou comprando softwares caríssimos de gestão (aumento de custos!), ou estendendo as horas de trabalho, varando madrugadas (olha a saúde indo para o brejo!), ou colocando em ordem o que é urgente e o que é importante (ordem de prioridade – é a melhor opção!).

Porém, aqueles que seguem o que chamamos aqui de melhor opção, às vezes esquecem que cada cliente tem o seu tempo. Organizamos os processos internos, fazendo cada serviço ou separando cada produto de acordo com o dia da compra ou fechamento do contrato. Poucas vezes levamos em consideração o tempo do cliente. O verdadeiro tempo do cliente. Clientes que efetivamente precisam do produto ou serviço antes, devem receber antes. Clientes que dependem de outras atividades/compras para que possam utilizar o seu produto ou serviço, devem receber depois. Cada caso é um caso.

Artesãos sabem muito bem perceber esse tempo do cliente. E colocam o prazo de entrega geralmente baseado nessa percepção. Entregam o mesmo produto/serviço em 2 ou 20 dias, dependendo do tempo do cliente. Enquanto isso, internamente, vão organizando seus processos de forma a concatenar a produção e entrega com o tempo percebido de cada cliente. Que tal seguirmos essa experiência de sucesso dos artesãos?

Na hora de definir o prazo de entrega, concentre-se no seu cliente, nas necessidades dele. Você vai identificar os que precisam em menos tempo do produto/serviço, os que precisam em um tempo mais estendido, os que dizem que precisam já, porém é claro que não, e também aqueles que dizem não ter pressa mas você percebe claramente que é melhor ele receber logo. E, se no caso do seu negócio, o número de clientes for alto demais, não permitindo essa individualização, crie grupos, classifique-os de acordo com a percepção de tempo percebida.

Experimente essa dica e veja como seus atrasos vão diminuir sensivelmente.

Inovar ou Recriar?

Mas que ideia genial!

Cansado de ouvir que precisava inovar, você, empreendedor, respira fundo e … sim, eis aqui a inovação! Mas aí uns e outros chegam e dizem: “ora, mas isso aí já foi feito nos anos….”; “cara, igualzinho ao do meu vizinho…”; “vi exatamente assim na última viagem que fiz à Hungria…”; “quando eu era pequena no meu bairro era exatamente assim…”; “mas cara, isso aí foi o que o fulano fez há dez anos atrás…”
Difícil criar o novo hoje em dia, não é mesmo? Afinal é tão fácil ouvir histórias, conhecer dicas, aprender a fazer, tudo via informações disponíveis a um toque do seu dedo. A diversidade é tão grande que quando pensamos que estamos criando, na realidade estamos resgatando e refazendo, remontando.
E qual o problema? Nenhum… Se a sua “inovação” está deixando os clientes e o seu público alvo feliz, ótimo! Continue inovando.
E quando vierem dizer que isso já foi visto em outro lugar, responda que é assim mesmo, inovação hoje em dia é mesmo, na maioria das vezes, sinônimo de recriação.
Siga recriando, o cliente agradece.

Você já sorriu para sua empresa hoje?

emoticonsorriso“O riso nem sempre é uma virtude – mas o excesso de seriedade é, invariavelmente, um defeito.”

José Francisco Botelho – Humor – Virtude no. 12. Revista Vida Simples. Agosto de 2014.

O dia-a-dia de uma pequena empresa pode ser, às vezes, bastante massacrante. Preparar o produto ou serviço, ter que refazer por conta de algum erro, reclamar com o fornecedor por conta de atraso, ouvir reclamações de clientes, descobrir deslizes dos funcionários, enfim… motivos sobram para considerar esses fatos grandes problemas. E, se não estamos preparados para lidar com eles, olha aí o mau humor se instalando.

Botelho diz mais: “Sem um toque de humor, todas as virtudes podem acabar desvirtuadas: a própria sabedoria, quando se leva demasiado a sério, aproxima-se perigosamente do dogmatismo. Não é por acaso que os fanáticos geralmente carecem de senso de humor: pois o fanatismo é um excesso de certeza, enquanto o humor é a consciência de que todos os assuntos e ações humanas têm uma pitada de insegurança.”

Levanta aí o braço quem consegue tocar o seu negócio com absoluta certeza de como será o amanhã. Aqueles problemas do dia-a-dia nada mais são do que resultado de ações e reações as quais não controlamos.

Então, só nos resta a escolha: vamos de mau humor ou com um sorriso nos lábios. A primeira opção você já sabe: vai cristalizar as suas preferências, as suas “certezas” e também vai te deixar cedo cedo com muitas rugas.

Ria para a sua empresa, ria de você mesmo(a), dos erros que pode ter cometido. O bom humor do seu sorriso vai tornar mais fácil a transformação dos fatos motivadores de problemas em fatos geradores de melhorias ou até mesmo de inovações. SORRIA!

EM PROL DO EMPREENDEDORISMO

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Foto by Freepik

Termo forte no mundo dos negócios, o empreendedorismo está sempre na berlinda: ora enaltecido ora criticado. Isso por si só já denota a importância do conceito que está por trás do termo. Tomando partido nessa discussão, três experientes profissionais do mercado(*) resolveram se unir e apresentar suas ideias sobre a importância do empreendedorismo para o desenvolvimento com sucesso dos negócios. Vamos às suas ideias!

 

A importância da autoestima e dos planos e metas

Se nos perguntassem qual é o legado mais importante que os pais podem deixar aos filhos, o que nos vem logo à mente (e, talvez, para a maioria das pessoas) seja a educação. Por quê? Certamente por ela ser um bem intangível dos mais preciosos. Como dizem as marcas orais: “melhor do que dar o peixe é ensinar a pescar”.

Podemos sofisticar um pouco mais esta resposta, com uma pitada de filosofia. Se a educação é um desses bens preciosos, então ela também deveria ser objeto de ser aprendida, ou seja, um bem ainda mais precioso seria aprender a aprender. Mas, quem pode se capacitar a aprender constantemente, a desconstruir conceitos e ideias, e erguer novos paradigmas para fazer frente a um mundo em constante renovação? Em nosso entender, são aqueles que desenvolvem sua autoestima!

A autoestima é o combustível que alimenta o gostar de si próprio. Se eu gosto de mim, se vejo o universo dentro de mim com suas infinitas possibilidades, então sou capaz de não ficar preso onde estou. Não há medo do risco, da aventura e do crescimento. É também um pré-requisito para gostar do outro, da vida em geral e de tudo que nos cerca. A autoestima é a ferramenta que possibilita a transformação construtiva!

Na medida em que conseguimos nossa autoestima, passamos a contribuir de forma responsável com o que vemos a nossa volta. Somos capazes de nos comprometer com nossa evolução e com a de quem nos cerca, num círculo virtuoso de benefício mútuo. Já não existe a falsa ideia de sucesso ou fracasso, nem de vencedores e perdedores, apenas a nossa contribuição justa e sincera.

Aqueles que assim se sentem são compelidos a fazer planos, estabelecer metas de mudanças produtivas. Sabendo que não importa o produto final, mas o processo em si. Não querem ser espectadores da vida, mas protagonistas de seu caminho. Agem sem falsas expectativas e, ao mudarem as coisas, estas os mudam. Fazer planos e ter metas são parte intrínseca de uma vida produtiva.

Assim também é no empreendedorismo, essa disciplina de arte, risco e liberdade que podemos aprender e exercitar. É preciso autoestima, é preciso compromisso e é preciso traçar planos e metas. Não é um caminho fácil, nos tira de nossas zonas de conforto, assim como a vida também não é estática e requer o corajoso enfrentamento das ameaças e oportunidades. Mas, aqueles que o abraçam, prontos a aprender constantemente, conseguem construir empresas que contribuem para o todo e para o sustento de muitos!

 

O exercício do empreendedorismo

 Mas quem exerce o empreendedorismo? Apenas o empreendedor? Sim e não. Sim porque se estamos falando de atuar integralmente com arte, assumindo todos os riscos e tendo liberdade de decidir sobre os planos e metas e suas eventuais alterações, estamos falando de um nível de responsabilidade que só o empreendedor pode ter. E não, porque podemos estar apenas precisando de algumas doses de empreendedorismo nas nossas atividades, sejam elas rotineiras ou não, de forma que os resultados sejam claramente um espelho da arte, ou para que possamos mitigar ou suplantar os riscos envolvidos, ou até mesmo para o correto cumprimento dos planos e metas. Em cada um desses três casos diferentes características da função empreender serão necessárias.

No mundo dos negócios, o empreendedor pode ser, por exemplo, aquele que decide abrir uma empresa de prestação de serviços. Ele conhece da arte, conhece os riscos do negócio e elaborou um plano de negócios para a abertura da empresa: está pronto para o exercício do empreendedorismo. E existe aquele que optou por uma franquia e está disposto a aprender a arte, recebe a análise de riscos feita pelo franqueador, e elaboram juntos o plano de negócios. Em ambos os casos a autoestima, pré-requisito básico, impulsiona a coragem, a determinação, a responsabilidade, o compromisso com os resultados, características necessárias ao empreendedorismo.

Os resultados de um exercício efetivo do empreendedorismo são tão bons que para alguns isso virou sinônimo de “única forma de trabalhar”. Isso não é verdade. Inúmeras atividades profissionais terão melhor desempenho sem nenhuma dose de empreendedorismo, como por exemplo a correta elaboração de um balanço contábil, ou a fabricação de peças de reposição para equipamentos industriais. O que não impede que, em algum momento as atividades citadas necessitem de alguma inovação para atendimento a demandas específicas e para tal optem por empreender um projeto de transformação que construa e fixe as novidades. Nesse momento, algumas das características do empreendedorismo serão super benvindas aos profissionais da contabilidade e da fabricação industrial.

Se ligue! Empreendedorismo vai ajudar a sua empresa, a sua instituição? Então use e abuse.

 

Empreendedorismo: fórmula para o sucesso

 Por definição, não há ser humano igual a outro. Cada indivíduo possui características próprias que o torna único. Na complexidade deste ser, não há fórmulas para entendê-lo ou defini-lo!

Agora, transportemos este conceito de individualidade para o mundo dos negócios. As empresas, de todos os tipos, tamanhos, atividades e faturamentos, foram criadas por esses seres únicos e complexos. Eles são os empreendedores. Sem eles, não haveria a sociedade economicamente organizada como a conhecemos.

Mas, o que é empreender? Trata-se de pôr em execução ou realizar algo. Empreendedorismo, segundo um dos conceitos clássicos, é “o processo de criar algo diferente e com valor, dedicando tempo e o esforço necessários, assumindo os riscos financeiros, psicológicos e sociais correspondentes e recebendo as consequentes recompensas da satisfação econômica e pessoal”. Então, sinteticamente, o empreendedor é o agente que realiza ou executa um plano com vistas a criar algo diferente e com valor, arcando com os ônus e auferindo os bônus dessa empreitada.

Profissionais e acadêmicos altamente conceituados em todo o mundo, bem como instituições de ensino e pesquisa da envergadura de Harvard, Stanford e Oxford apresentam o empreendedorismo como meio concreto do desenvolvimento econômico mundial, bem como de geração e distribuição de renda.

Mas, reflitamos por um instante: haveria uma fórmula de sucesso para o perfil dos empreendedores, estes agentes de criação de novos negócios? Seria possível criar uma receita padrão que garantisse que exatamente estes seres complexos, dotados de características únicas, alcançassem os mesmos resultados? Ou, ainda mais, haveria como estabelecer determinado protocolo cientificamente observável e certificável que, uma vez seguido pelos indivíduos únicos, nos levasse às mesmas conclusões?

A resposta objetiva é NÃO! O número de autores, publicações, cases de sucesso, teorias e toda a sorte de conteúdos e debates acerca do empreendedorismo, nos leva concretamente a concluir que não há uma evidência sequer quanto a existência de uma fórmula de sucesso. Há, é verdade, características comportamentais específicas observadas em empreendedores de sucesso, bem como processos estabelecidos que mitigam a ocorrência de erros ou falhas durante o empreender.

Indiscutivelmente, o que se tem, é que o empreendedorismo é valioso para a sociedade local e global, pois é um dos alicerces de um mundo economicamente em movimento e em transformação. Não busque fórmulas ou receitas prontas, crie a sua própria. Simplesmente empreenda!

 

(*) escrito por:

Alexandre Prado – presidente da Núcleo Expansão, coach, professor e consultor especializado em desenvolvimento humano e organizacional.

Gloria Micaelo – sócia-diretora da Empreenda Bem, ativista constante das boas práticas do empreendedorismo.

Wanderlei Passarella – diretor da Synchron Participações, conselheiro de empresas e mentor de empreendedorismo.